O CROMO DA BOLA

Sousa Cintra é uma figura caricata, mas que ninguém deve levar muito a sério. Diz o antigo presidente do Sporting, em entrevista ao Record, que Luís Filipe Vieira queria, de facto, ficar com alguns jogadores dos leões que rescindiram, mas que à última hora foi ele, Sousa Cintra, quem impediu que tal acontecesse.

Segundo contou aos amigos do Record, terá sido ele próprio a dizer ao presidente do Benfica: “Calma aí, não vai ficar com nenhum jogador nosso.” Bom, uma coisa é o que diz Sousa Cintra. Outra coisa é a verdade. Foram vários os jogadores do Sporting, na realidade, que estavam na disposição de se mudar para a Luz. Não só os que rescindiram, como outros que estiveram perto de rescindir. Como, aliás, outros que ainda hoje estão em Alcochete, mas que preferiam estar no Seixal. Então, mas se é mesmo assim, porque razão é que o Benfica não ficou com nenhum jogador que estava no Sporting na última época? Por uma razão: porque Sousa Cintra, de facto, teve uma conversa com Vieira, mas não para lhe dizer “calma aí”. Muito pelo contrário. O que se passou foi um pedido de clemência em nome de uma longa amizade. Vieira, que é realmente um homem com valores que o distinguem de muitos canalhas que andam no futebol, ficou sensibilizado com o pedido desesperado de Cintra. E deixou a situação cair. Em função do interesse dos vários jogadores do Sporting que rescindiram, teria sido muito fácil o Benfica ficar com vários reforços a custo zero. Mas o presidente das águias quis dar um sinal de boa vontade e retomar, com os leões, relações que pareciam perdidas. Deu a palavra ao amigo de que não iria buscar ninguém. E o amigo, o tal que há uns anos atacou forte na Luz e roubou Paulo Sousa e Pacheco (e ainda tentou mais 5 ou 6), nem sabia como agradecer a Vieira por tamanho gesto de grandeza. Como a memória é curta, agora vem contar uma história diferente e armar-se em herói. Termino só com mais esta: não foram apenas jogadores do Sporting que quiseram mudar para o rival: foram também treinadores, médicos e até dirigentes. E mais não digo…

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César Boaventura

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